Amor próprio
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Por vezes nas exigências da vida, nas rotinas, no trabalho e nas relações, procuramos adequar-nos aos outros, procuramos a aceitação alheia, e vamos esquecendo que, primeiramente, temos de gostar e cuidar de nós próprios, dentro na nossa individualidade. Não é egocentrismo! O ser humano, que mais devemos amar e cuidar, somos nós, é a nossa natureza. Mas quantos de nós, nessa procura incessante da aceitação alheia, do amor dos outros, do adequado e aceitável na sociedade e no nosso meio, perdemos o caminho do nosso próprio agrado e a nossa própria aceitação? Isto resulta na falta de auto-estima, na sensação quase "dissociativa" de estarmos a viver um papel, representado, que não traduz a nossa identidade...Mas afinal de contas, o que somos e quem somos?
Esta busca deve ser feita por todos, gostando e cuidando de nós mesmos, afirmando-nos como seres humanos, únicos, com características próprias das quais nos podemos orgulhar, e não meramente "cópias"do que achamos que deveríamos ser.
Esta é uma reflexão que tenho, e não deverei ser a única. E há pequenos, mas importantes passos, para caminharmos neste sentido:
- Conhecermo-nos melhor. Perceber as coisas que gostamos e não gostamos de fazer
- Saber dizer NÃO, quando assim entendemos, e não ser apenas uma ovelha, que segue o seu rebanho, mas sim o pastor, que dita o seu próprio caminho.
- Ter "hobbies", e aproveitar o tempo que temos livre, para fazer coisas que realmente gostamos, ou gostaríamos de um dia fazer.
- Gastar tempo connosco. Investir em nós, é sempre um bom investimento, e o melhor possível. Ao fazer isso, a mudança interior vai acontecendo, gradualmente.
- Acção positiva=Pensamento positivo. Além do importante que é ter uma acção positiva, para nos sentirmos bem connosco, devemos congratular-nos desta e valorizar-nos por ela.
- Semelhante à acção positiva, devemos reconhecer, diariamente, as nossas conquistas, comportamentos e sucessos, por pequenos que sejam. E sim, vão existir momentos em que vais ter de fazer um esforço para encontrar isso em ti, mas faz!
- Não és má pessoa. És humano, apenas isso, e portanto tens comportamentos bons e outros menos bons, mas que são teus e fazem parte de ti. Descobre formas de usar determinadas características menos favoráveis a teu favor.
- Simplifica: Traz pequenos prazeres à tua vida e escolhe momentos em que possas, simplesmente desfrutar, viver a simplicidade das coisas, sem grandes pensamentos ou filosofias.
- Dedicar um momento para nós, todos os dias! Um momento só nosso, em que nos tratemos com dedicação, mimar-nos, seja a ler um bom livro, seja a beber um leite com chocolate quente num dia frio de inverno, seja cuidar do corpo, ou até ouvir uma boa música... Vamos ganhando gozo nesses momentos só nossos, e o progresso do amor próprio será gradual.
- Ter auto-compaixão. Tal implica estar aberto ao próprio sofrimento, experenciando sentimentos de calor, de cuidado e de compreensão para com o eu, reconhecendo as nossas experiências como parte de uma experiência humana comum. Quando a auto-compaixão está presente em nós, ajuda-nos a ter uma perspectiva de maior aceitação e de menos julgamento perante as circunstâncias da vida.
Praticar o amor-próprio é, também, um exercício, mais necessário em alguns comparativamente a outros, mas sempre importante (excepto o Donald Trump... esse já tem em excesso).
Vamo-nos cuidar e amar, assim como somos, tanto o lado iluminado como o lado lunar, sendo este último, o mais desafiante.

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